Arquivo para a categoria 'Tempos Modernos'

Campus Party, dia 2

Começou hoje o ciclo de palestras da Campus Party. Eu pude conferir duas, que ocorreram no CampusBlog. Uma delas foi a apresentação de Ronaldo Lemos sobre direito digital, que abriu o ciclo da área de blogs; a outra foi a palestra de Juliano Spyer, sobre blogs.

Ronaldo Lemos é professor da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diretor do Creative Commons no Brasil e um dos fundadores do Overmundo, um site colaborativo onde os artigos mais votados são publicados. Ele abordou temas muito interessantes acerca do que é legal e do que é ilegal no mundo web, e muitos dos esclarecimentos deixaram o público estarrecido: a legislação brasileira é tão restritiva que grande parte do que fazemos online é ilegal. Ao que parece, o Ministério da Cultura vai “bandalarguizar” as leis de direito autoral para que elas possam também abranger o direito digital. Mas enquanto essas alterações não vêm, cada um tem que cuidar do seu. O que Lemos chamou de ‘responsabilidade civil dos blogs’ ainda depende muito da forma como cada um encara a questão, e não das leis. Por falta de uma legislação para as atividades virtuais, muitas decisões ficam a cargo dos juízes; alguns deles, inclusive, buscam as bases de seus veredictos em legislações internacionais, como a norte americana.

O que Lemos sugere como solução a curto prazo é o uso das licenças Creative Commons, que faz com que o autor deixe claro o tipo de direito autoral que quer impor ao que produziu. Vale ressaltar também que Lemos deixou claro que colocar uma licença Creative Commons em algo não impede a sua posterior venda, contanto que o conteúdo continue sendo disponibilizado da forma colocada pela licença escolhida. Ele exemplificou com sua própria experiência: seu livro “Direito, tecnologia e cultura” foi disponibilizado sob Creative Commons, entretanto também é publicado pela Editora da FGV.


Com os esclarecimentos de Lemos, todos se sentiram um pouco “ilegais”

Spyer tratou de um tema que parecia batido, mas de uma forma bastante leve e surpreendente. Inicialmente o nome da apresentação era “Tecnologia não faz um blog”, título esse que condensa exatamente o que foi apresentado. Entretanto, ao tratar o tema de forma menos tecnológica, Spyer trocou o nome da apresentação no último minuto para “Zen e a arte de blogar”. Ele defendeu que blogar não depende de talento, mas sim de auto conhecimento. Não depende de saber escrever bem, mas principalmente de saber ler. Ele acredita que dentro de 10 anos as pessoas usaram seus espaços na internet, sejam eles blogs ou o que for, como hoje usam o email; o blog será o cartão de visitas do futuro. Quem assistiu a apresentação de Juliano Spyer saiu com a certeza de que blogar é mais do que apenas escrever na internet: é manter-se informado, criar uma interatividade que propicie crescimento pessoal e, por que não?, também profissional. Porque blogar também é organizar idéias.


Spyer em sua apresentação que mudou de título no último minuto

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Qual é a da Campus Party?

A Campus Party iniciou oficialmente ontem, por volta da meia noite, com muito samba e batucada. Afinal, estamos no Brasil.
O ministro da cultura Gilberto Gil aproveitou a ocasião pra neologizar: ele quer “bandalarguizar” a nação. O que quer que isso signifique, o pessoal por aqui não gostou muito. Preferia ver o Robô Quasi tecno-sambando ao som de um samba-tecno-mix. Mas nem tudo são flores.

O primeiro dia da Campus Party foi praticamente um reconhecimento do terreno: como colocar aquele enorme colchão de ar dentro da barraca, onde é que se pode fazer xixi, troca de dinheiro em notas de 1 real pra comprar refrigerante na máquina, enfim, o pessoal vai timidamente ambientando, se conhecendo e se sentindo mais confortável.

A priori, a vestimenta casual não casa com a situação. A moda aqui é despojado-confortável. Chinelos, sandálias, papetes, regatas e shorts, calças e blusinhas. Apesar do ar condicionado, existem áreas que ás vezes tornam-se abafadas, devido ao fluxo de pessoas. A área de Games, por exemplo, não deixava de aquecer. Tantas máquinas ligadas e tanta gente junta, não dava pra esperar menos. Todo mundo fica com calor, exceto as supermáquinas da área de Modding. Elas brilham com neon e mostram as engenharias pra se manter a máquina refrigerada. Vale a pena conferir pela engenhosidade. Porque eu não teria coragem de refrigerar uma supermáquina daquelas com água.

Campus Party 2008 Modding refrigeração por água
Supermáquina refrigerada com água

O fluxo de informação vai ser imenso. Tem gente tirando fotos a torto e a direito, quase não olhando a cena pra manter registrado em fotografia; toda hora tem alguém escrevendo algo sobre o assunto, uns mais imparciais, outros menos. Quem está de fora não vai ficar sem saber se souber onde procurar.

Bem vindos à Campus Party Brasil. A festa acabou de começar.

Campus Party 2008

O Campus Party, que é tido como o maior evento de entretenimento eletrônico do mundo, realiza sua 11ª edição na nação tupiniquim, mais precisamente no pavilhão Cecílio Maratazzo, mais conhecido como Bienal, dentro do parque Ibirapuera, em São Paulo.

É a primeira vez que o evento acontece fora da Espanha, país onde surgiu, e a pergunta que todos fazem é: por que escolher o Brasil? As respostas são várias, mas Marcelo Branco, um dos diretores do evento no Brasil, afirma que a escolha tem a ver com a relação que o brasileiro tem com a internet. Hoje, somos grande maioria em sites de relacionamento, ficamos cerca deCampus Party 2008 22 horas por mês online e temos uma grande comunidade colaborativa. E cerca de 11 dias antes do início do evento, os ingressos estão praticamente esgotados. O que mostra que nos entusiasmamos com o encontro “pessoal” com a comunidade virtual.

Um dos destaques da edição brasileira do Campus Party foi a criação da área “CampusBlog”, que reunirá palestras e oficinas voltadas para os blogueiros, o que na real significa um grande encontro nacional de blogueiros. Mas existirão muitas outras áreas, que são mais tradicionais no Campus Party: Astronomia, Criatividade, Desenvolvimento, Games, Modding, Música, Robótica, Software Livre, além de Espaços Especiais e áreas de lazer. Os participantes do evento terão muito o que visitar.

Existe, inclusive, uma movimentação dos participantes, denominados “campuseiros”, para gravar as palestras e eventos em que estiverem presentes e compartilhar os arquivos de vídeo, para que todos possam virtualmente participar um pouquinho em quase tudo. Entretanto, ao que parece, os organizadores já pensaram nisso: todos os eventos serão registrados e posteriormente disponibilizados para os participantes.

Eu estarei por lá, acampando e participando principalmente dos eventos do CampusBlog. Já fiz minha agenda com os eventos que gostaria de comparecer, e espero encontrar muita gente da blogosfera por lá; tentarei manter o Twitter atualizado com as minhas impressões e sempre que possível vou postar sobre algo que me pareça relevante.

E pra ajudar os outros campuseiros a fazerem também suas agendas, eu transcrevi as informações da agenda oficial do evento em agendas do Google Calendar. Assim, é possível copiar para suas próprias agendas eventos de uma área inteira, ou eventos separados, da forma que parecer melhor.

E acreditem em mim, a melhor parte de todas é imprimir a sua própria agenda pra não perder nada!
Pra quem vai, até lá! Para os que ficam, não se preocupem. Os campuseiros farão o possível para manter todos atualizados!

|Site oficial do Campus Party
|Agendas do Google Calendar por área: Astronomia, CampusBlog, Criatividade, Desenvolvimento, Espaços Especiais, Games, Modding, Música, Robótica, Simulação e Software Livre

Redator de conteúdo, a profissão dos novos tempos

A US News publicou uma matéria online sobre as profissões que parecem ter um futuro brilhante a partir de 2008. Isso não significa que você não terá sucesso por cursar astronomia, mas a matéria ressalta as áreas que tendem a crescer. Uma delas era o cargo denominado como “Editor“. Segundo a US News, o “editor” é o responsável por uma turma de comunicação; é o coordenador da galera que traz informação para um determinado veículo, seja ele on ou offline.

Isso me fez pensar que a função tanto do editor quanto de todo o pessoal que trabalha com ele (fotógrafos, redatores, repórteres, enfim) é prover conteúdo para um meio específico. E o editor nada mais é que um redator de conteúdo que gerencia outros tantos redatores. A profissão seria como um mix de redator, personal ghost writer, jornalista, crítico, escritor de ficção, revisor e corretor de estilos de textos. Um tipo de especialização dessa carreira seria a web, para fornecer conteúdo para sites e portais.

E o que se esperaria desse redator especializado? Muita coisa: precisa ser um profissional que saiba escrever bem sobre qualquer assunto, parecido com um redator de agência de publicidade, mas que produz textos para sites internos ou externos de companhias, empresas, blogs especializados… Não precisa estar locado numa agência específica, pode trabalhar onde quiser, desde que esteja conectado. Esse profissional pode também revisar textos para evitar gafes gramaticais ou estilísticas, bem como checar se as informações que uma empresa ou pessoa quer publicar contém erros fatuais ou potencialmente perigosos: calúnias, difamações, perjúrios ou textos que possam implicar em ações legais. O profissional que redige conteúdo especializado também deve estar apto para arquitetar as informações de forma que elas recebam a devida atenção dentro do veículo de divulgação que foi escolhido.

E não é difícil entender porque essa “profissão” tem características de ascensão. Eric Ulken, editor da latimes.com de Los Angeles, fez uma nuvem de tags utilizando as habilidades que são valorizadas nos jornalistas que procuram um trabalho (segundo o site JournalismJobs.com):

Journalism cloud

As características que são procuradas mostram que existe uma mistura muito grande de habilidades em um único profissional para que ele seja completo. As palavras com as maiores letras mostram uma maior relevância, em contraste com as palavras escritas em letras menores, que têm menor relevância. Ulken retirou da Tag Cloud as palavras não-técnicas, como “editor”, “pró-ativo” e similares, que seriam encontradas em quase todos os requisitos, para mostrar a importância do conhecimento tecnológico que é requisitado desses profissionais. Blogs, HTML e interatividade foram as três palavras que ganharam destaque, e que provam que, muito provavelmente, a área de atuação majoritária dos profissionais provedores de conteúdo será a internet.

E, acreditem, isso me surpreende muito.
Há poucos anos atrás, lembro-me de ouvir rumores de que a profissão de jornalista estava em queda devido ao surgimento e à popularização de blogs, ao contínuo descarte de assinaturas de jornais e revistas, o que, consequentemente, acabaria com os postos de trabalho dos jornalistas. Já na época isso me parecia bastante absurdo; algo que eu sempre soube é que a tecnologia pode acabar com profissões mecânicas, mas raramente conseguirá extinguir as profissões que envolvem criatividade e produção de conteúdo. Agora, isso ficou evidente.

Como me disse certa vez Barbara Hilsenbeck, o mercado sempre tem espaço para quem tem talento.

Publicando em conjunto

Na era onde a tecnologia está por todos os lados, onde um computador se tornou indispensável e as profissões estão sendo alteradas, o trabalho colaborativo está cada vez mais presente. A revista Superinteressante do mês de julho trouxe uma matéria sobre o assunto; a matéria, inclusive, é uma experiência de trabalho colaborativo pela web: Simon Kuper, autor do texto, escreveu a partir de Londres, as ilustrações passaram por três diferentes ilustradores, que complementavam e alteravam visando a ilustração final que está na revista.

Ilustração feita por 3 diferentes artistas para a matéria da Superinteressante

O conceito de trabalho colaborativo - duas ou mais pessoas que trabalham visando um objetivo comum - é ótimo, e com o advento da internet, fica cada vez mais fácil a comunicação e a produção de textos e projetos em conjunto. Hoje, com um computador a partir de qualquer lugar do mundo e tendo domínio da lingua inglesa, é possível fazer quase de tudo. É isso o que diz Simon Kuper em “Você 3.0″.

Só que temos que lembrar que fazer um trabalho em conjunto significa abdicar de algumas coisas, como o perfeccionismo ou a idéia fixa para que se possa executar um bom trabalho. Isso costuma ser um problema, por exemplo, para jornalistas. Já ouvi queixas do tipo “o editor alterou meu texto”, “eu não escrevi aquilo”, coisas assim. Logicamente que entendo o motivo da irritação, mas é esse tipo de coisa que um trabalho colaborativo deve fazer. Quem é objetivo deve cortar o excesso de subjetividades do outro. O que é subjetivo deve alongar as objetividades alheias. E assim vai. Tudo pensando em como fazer o melhor, sempre.

E para conseguir se inserir em um meio em que o importante não é o que você fez, mas o que se fez em conjunto e se o resultado foi bom. Acredito que tenha que existir um maior desprendimento das próprias produções, de forma a aceitar sem muita relutância interna as críticas construtivas que forem feitas e as alterações proveitosas que venham a ser sugeridas.

Ninguém precisa perder seu estilo, seu jeito, sua maneira de argumentar; é clichê, mas é verdade: juntos, podemos fazer melhor!

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Jacqueline S Lafloufa

| 21 anos
| SJC, SP
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