Arquivo para a categoria 'Livros'

E quando o papel acabar?

Para desespero dos jornalistas, editores e funções correlatas, essa questão, que anda na moda nos últimos tempos, incomoda bastante. Os posicionamentos são bem previsíveis: aqueles que trabalham com material impresso têm a tendência de acreditar que ele nunca vai acabar; já os fãs do meio digital fazem questão de assassinar o papel em favor do meio digital.
E essa discussão cria, muitas vezes, um efeito assustador para os jovens profissionais, o que é totalmente desnecessário e praticamente irreal.

Em uma de minhas aulas, o professor exibiu um vídeo chamado “Propaganda Brasileira”, produzido pela ESPM, percebi na declaração de Roberto Civita uma clareza de pensamento que não tinha visto antes em um profissional da área de comunicação.

A ele foi feita uma pergunta relativa ao fim do papel no século XXI. E se o papel acabar? Como vai fazer a editora Abril para sobreviver quando o papel não for mais tão popular?

E Roberto Civita calmamente respondeu mais ou menos assim:
Primeiro, o papel ainda está longe de acabar. O jornal, a revista, o livro, eles tem uma maleabilidade, uma portabilidade, uma folheabilidade que os dispositivos eletrônicos ainda não têm. Ler na tela, hoje, é algo extremamente desconfortável e pouco prático. A eletrônica ainda precisa trabalhar para desenvolver algo mais agradável, viável e portátil o suficiente para substituir o prático, barato e “não-visado-para-furto” livro.
Entretanto, quando isso acontecer, não haverá pânico. Quando o papel acabar, a editora Abril vai parar de cortar árvores para fabricar papel e imprimir, mas vai continuar com o mesmo trabalho de edição, produção e seleção de conteúdo. Ela continuará fazendo a mesma coisa de sempre, mas visando um meio diferente: o meio digital.

Ouvir uma declaração tão clara, objetiva e simples, vinda do presidente do Grupo Abril, para mim foi incrível. É alguém contra a corrente, um profissional sério do meio impresso que não tem uma visão hermética do processo. Ele provavelmente acompanhou a popularização dos computadores pessoais, viu a internet tomar conta da vida das pessoas, acompanhou a baixa na venda dos jornais, mas ainda assim mantém a cabeça no lugar. Isso me faz perguntar qual o medo dos profissionais da área, como jornalistas e editores. Por que temer o fato do papel perder sua importância, se o trabalho de comunicador também se adequa ao mundo digital?
bigstockphoto_Stack_Of_Papers_1196666
Não há o que temer. Não que Roberto Civita seja algum guru, que viu algo que ninguém havia visto antes. É, acima de tudo, um profissional inteligente, informado e esclarecido o suficiente para tão temer o fim de um “meio”, de um ‘canal’ de comunicação. Quando o meio impresso for substituido pelo meio digital, por geringonças tecnológicas e e-readers, o meio ambiente vai agradecer: menos árvores serão cortadas, menos papel vai ser jogado fora desnecessariamente, e quem trabalha no ramo hoje não vai ‘perder’ sua função. Vai continuar fazendo o mesmo tipo de trabalho, mas vai vê-lo realizado de uma forma diferente.

Portanto, não há motivo para pânico. Os tempos mudam, os meios mudam, mas a produção e o consumo de conteúdo não páram, jamais.

>>O vídeo em questão acompanha o livro “Propaganda Brasileira”, publicado pela ESPM; não consegui achar nenhuma informação sobre tal livro na internet. Caso alguém saiba onde encontrar esses dados, por favor deixe um comentário.

Curitibocas, veja Curitiba por um outro ângulo

Costumamos conhecer as cidades por seus atributos físicos, como obras de arte, arquitetura, organização, mas todos sabem que o que faz mesmo uma cidade são as pessoas que vivem nela, é a sua cultura. E não falo apenas do folclore, das tradições, mas também do cotidiano de uma localidade, de suas esquisitices, peculiaridades e costumes.
Foi pensando em retratar esse lado da cidade de Curitiba que Cecília Arbolave e João Varella iniciaram o projeto “Curitibocas - Diálogos Urbanos”.

Curitibocas (que parece uma mistura de curitibanos com cariocas) é um nome carinhoso usado para designar os curitibanos. Pode ser encontrado, inclusive, em obras de Dalton Trevisan, renomado escritor “curitiboca”. E foi esse o nome escolhido pela argentina e pelo gaúcho como título do agora livro “Curitibocas”.

O livro traz a história de 17 personalidades curitibanas, desde músicos de rua a professores universitários, passando por uma freira, um pipoqueiro e diversos artístas plásticos. É uma história que pretende mostrar que Curitiba é muito mais do que a Europa brasileira, do que uma cidade modelo para o Brasil. Curitiba é, também, lar de gênios urbanos com as mais diferentes peculiaridades.

Outro fato curioso é que o livro foi sendo editado e organizado via internet pela dupla de autores, que estavam separados por 1790 quilômetros, e eles foram comentando o processo de montagem no “blog do Curitibocas“. Assim, todo o processo de busca de editora, de comunicação (que era feita via skype) e de produção pode ser visto no blog, bem como alguns trechos do livro, que eles ali publicaram.

” Curitibocas - Diálogos Urbanos” é uma ótima pedida para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da cultura curitibana - ou curitiboca. Se estiver em Curitiba, não perca o lançamento, que acontecerá na Livraria Saraiva do Shopping Crystal.

E à Cecilia e ao João, parabéns pela iniciativa, e sucesso com a empreitada!

curitibocas Curitibocas - Diálogos Urbanos

João Varella
Cecilia Arbolave
Fotos por Bruna Bazzo
R$29,00
Editora Coração

Lançamento dia 7 de dezembro, as 19h
na Livraria Saraiva do Shopping Crystal

Sessão de autógrafos dia 14 de dezembro, as 19h30
na Livraria Curitiba

Kindle, o livro digital da Amazon

NewsweekComo diz a profecia da Newsweek, os livros não estão mortos.
Não tenho idéia em que tipo de dispositivos leremos no futuro (talvez um iPod de livros, design de Steve Jobs, colorido?) mas atualmente as opções estão aumentando. Depois do lançamento do Sony Reader, chega o Kindle, produção da Amazon.

Concordemos, os readers não são iPods, objetos de consumo com design e tudo o mais, eles ainda são dispositivos que tentam atingir o seu objetivo da melhor forma - e não da forma mais bonita. Um desses objetivos é fazer da leitura na tela uma boa experiência. Segundo os desenvolvedores, a resolução da tela faz com que haja a impressão de estar lendo um livro de verdade, impresso. Mas o que faz do Kindle uma novidade é seu acesso wireless e a possibilidade de fazer tudo sem o uso de um computador ou de cabos. Um dispositivo independente, afinal.

Para a Amazon, é uma ótima sacada. Ela vende um dispositivo que auxilia a sua venda de livros - os formatos de livros para Kindle tem um preço reduzido e não necessitam de entrega (é feito um download em menos de 1 minuto), portanto, custo quase zero para a Amazon, e lucro garantido. E é uma ótima também para quem compra: a Amazon vai disponibilizar alguns primeiros capítulos de livros para leitura em Kindle, para que então o consumidor decida se quer ou não adquirir o título.Mas como nem tudo (nem o Kindle, nem o reader da Sony) na vida é bonito, o gadget custa caro: US$399, o preço de um iPhone. Mas se ele for tão bom quanto prometem, o que importa o design? O que vale é fazer bem o que ele se dispõe a fazer!

Kindle

Mas ainda me restam algumas perguntinhas: uma gracinha dessas, funciona no Brasil? Acessa o Gmail e o Google? ou não lê PDF? Porque assim que melhorar e/ou baratear, eu vou querer um desses. E vou montar minha biblioteca com cartões SD!

|Veja mais sobre o Kindle
Alesssandro Martins e suas opiniões sobre o Kindle
Blue Bus noticia o leitor
Compre pela Amazon e comente aqui depois!

Pesquisando os hábitos de leitura de hoje

Você provavelmente já ouviu dizer que “hoje em dia as pessoas lêem menos”, apesar de sentir que estamos cada vez mais informados, e que o volume de leitura de cada indivíduo atualmente é bem maior do que era a alguns anos atrás.
Existem também aqueles que dizem que o fim do livro está próximo, ou que as pessoas só lêem na internet, que a produção cultural diminuiu por causa da web, essas coisas todas. Agora eu me pergunto: baseadas em que as pessoas afirmam isso?

É claro que eu tenho a minha própria opinião sobre o assunto, sei em qual das hipóteses eu me encaixo melhor, mas a partir de que momento podemos generalizar a tal ponto de dizer que “hoje é assim”, ou “hoje é assado”?
Eu, eu não sei, mas prefiro poder falar baseada em amostragem. Resolvi criar um questionário rápido e simples que visa coletar informações básicas sobre os hábitos de leitura das pessoas no mundo considerado globalizado e digitalizado. E para que isso seja feito da melhor forma possível, eu conto com a ajuda da minha amiga Priscila Lelis, estudante de Estatística na UNICAMP, para analisar os dados da pesquisa.

Portanto, se você estiver curioso sobre o assunto e quiser ajudar, basta responder o questionário e deixar o seu email ao final das questões. A pesquisa estará disponível até dia 30 de novembro desse ano, às 23h59, e após isso faremos a análise dos dados. Quando esta estiver pronta, enviarei os resultados para os que escolheram recebê-los. Se você não quiser deixar seu email, tudo bem. Eu colocarei uma versão resumida aqui no Pensamenteando e você pode vir dar uma olhada.

Fique a vontade para mandar o questionário para quantas pessoas quiser. Basta encaminhar a seguinte URL: http://tinyurl.com/25lnbx

UPDATE: a pesquisa foi encerrada em 30 de novembro de 2007. Os resultados podem ser acessados nesse link.

Veja também:
- Produzir e distribuir conteúdo, uma opção que expande conceitos
- E quando o papel acabar?

Gaiola da classe média

Uma narrativa que se passa no atribulado ano de 1992, sem quase citar os problemas políticos que assolaram o Brasil em tal momento, assim é “A Gaiola de Faraday” de Bernardo Ajzenberg.
A história, que de Faraday tem muito pouco, usa a estrutura de uma novela “global”: cada capítulo aborda um núcleo, como se fosse um take, e logo muda-se para outro prisma da mesma problemática. Apesar de alguns (muitos!) desdenharem as novelas, esse tipo de estrutura é interessante porque acelera o ritmo de leitura e de certo ponto promove um suspense, mesmo que bem leve.

O enredo é curioso. Um pai que resolve sair de casa, mas que continua acompanhando a vida da família, espionando, procurando saber como estão os filhos e a mulher. Entretanto o pai não tem um rumo a seguir, ele simplesmente foge dos seus problemas quando eles se tornam um fardo pesado demais.

No encontro entre alunos e autores promovido pela professora Maria Eugênia, Bernardo Ajzenberg nos contou como o jornalismo influenciou o seu lado literário:

Uma boa história para compreender os pequenos grandes problemas da classe média paulistana.
gaiola

A Gaiola de Faraday
de Bernardo Ajzenberg
129 páginas
Editora Rocco
two-stars.gif
R$23,00

Submarino Button

Próxima Página »


Jacqueline S Lafloufa

| 21 anos
| SJC, SP
| Portfólio
| Projetos
| Sobre o Blog
| Contato

| Twitter
| Linked in


Ambidestria, eu também escrevo aqui!

Busca

Campanhas

Connect Book Nokia

Por que presentear só SP se pode-se presentear o país inteiro?

ATENÇÃO:

Todo e qualquer texto publicado na internet através do sistema de comentários não reflete a opinião deste blog ou de sua autora. Para informações mais detalhadas, visite a pagina de Políticas do Blog

Creative Commons

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Quantos online no momento?

website counter Free Hit Counter

Arquivos

Clicky

Arte Visual

A imagem do topo do blog foi produzida por Laila Lafloufa.