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Blogosfera hoje

Minha participação na blogosfera sempre foi como observadora. Mesmo quando fiz parte de eventos que valorizavam e reuniam blogueiros de renome, minha capacidade analítica sempre se destacou em relação à minha vontade de socializar. E exatamente por acompanhar o movimento dessa tal blogosfera que, pra mim, é simples notar algumas alterações nesse “grupo social”.

Observador

Foi na Campus Party que eu descobri o que hoje se denomina “umbigosfera”: aquela parcela da blogosfera que se fecha em seu mundo como se tudo girasse em torno de seu umbigo. Lá na CP os avatares que eu conhecia ganharam um rosto real, mas isso era tudo; um grupo seleto de blogueiros que se tornaram famosos fechavam-se em seu círculo de forma hermética, e a única maneira de adentrar esse grupo era da mesma forma que se fazia com o orkut nos primórdios: via convite de ‘quem está dentro’.

A necessidade de buscar gama e monetizar blogs de forma ética, amigável e, claro, rentável tomou conta do evento de tal forma que projetos interessantes muitas vezes podem ter passado despercebidos.

A partir de então o twitter passou a se popularizar. Boa parte da blogosfera apareceu por lá, pra entender do que se tratava, e aí foi ficando, se adaptando… e foi ficando cada vez mais claro o status blogosférico de cada um ao acompanhar o número de “followers” de cada cidadão-web. Mas é exatamente NESSA rede que se encontram informações interessantes, de gente interessante, e sabe-se até mesmo do fútil antes de ver o noticiário - eu mesma fiquei sabendo do terremoto em SP via twitter.

Com essa sucessão de eventos foi possível perceber que a produção de conteúdo “despretencioso” foi ficando cada vez menor, sendo os assuntos mais corriqueiros os encontros que a nata blogosférica fazia, os eventos dos quais participava, posts pagos, publicidade… E na “observosfera”, uma enxurrada de análises e críticas à tal “nata”. É como se a regra fosse postar em círculos! Alguns perceberam essa mudança, outros não; talvez algum outro não se importe; há aqueles que aproveitam positivamente e criam oportunidades, fomentam mudanças, assim como existem os que se aproveitam negativamente da situação e criam alvoroço.

O que eu percebo é que acompanhar a blogosfera é interessante e enriquecedor, mas também é opcional. Não existe razão para rebeldia e agressividade em relação aos que são vistos como “famosos” da blogosfera. No mundo virtual o reconhecimento se dá em clicks e em número de assinantes de feeds. Se você não gostou, não clique, cancele a sua assinatura, ou até mesmo argumente, mas lembrando de fazê-lo de forma consistente e respeitosa: lembre-se sempre de sugerir uma solução quando apontar um problema.

Talvez essa seja a adolescência da blogosfera: não há um conceito sólido de ética, não existem definições, há muita rebeldia por parte dos que se sentem discriminados e há muita discussão mal conduzida. Mas, como toda fase, ela vai ser superada e, quem sabe, depois de tudo isso tenhamos uma comunidade de blogs mais adulta e íntegra.

O tema de seu blog

Durante a Campus Party, em fevereiro desse ano, muita gente que eu conheci me perguntava: “Ah, e qual é o tema do seu blog?”. Eu, que nunca tinha pensado no assunto, fiquei atônita. Não tinha idéia de qual era o assunto que deveria ter escolhido para tratar no Pensamenteando. Na maioria das vezes eu ressaltei os últimos temas dos meus posts mais recentes, literatura e tecnologia. Mas esse não é o “tema”…

Mais tarde, pensando melhor, percebi que na verdade o título do blog já diz tudo. O Pensamenteando é o retrato dos meus pensamentos. E meus pensamentos não podem, nem devem e não são monotemáticos.

Pensar é interconectar temas que podem (ou não) ser desconexos. É externar o que se passa na cabeça quando nos colocamos a martelar e fermentar idéias. Meu blog é sobre pensamentos, e eles não conseguem se limitar a um só tema. A escolha por publicar alguns deles no blog não é organizá-los, mas sim manter um registro para que eles possam fermentar cada vez mais e crescer, de acordo com que discuto e argumento sobre eles.

O que, definitivamente, não significa que eu ache errado que blogs tenham temas definidos. É uma questão de organização mental, talvez. E também de muito conteúdo acumulado. Isso porque conseguir falar por muito tempo sobre um tema específico exige um acúmulo de informações específicas muito grande. E ainda assim, a meu ver, a maioria das pessoas que mantém blogs tematicamente centrados costumam também manter mais de um blog. Às vezes essas pessoas têm tanto a dizer sobre assuntos diferentes que organizá-los exige mais de um lugar de publicação. Exemplos? Carlos Merigo, do Brainstorm#9. Merigo não permite que o B#9 fique desatualizado, afinal ele possui uma enorme bagagem na área de publicidade e tem muito o que falar. Mas o que talvez poucos saibam é que Merigo também publica no SmellyCat, co-autoria com Baunilha, que trata sobre animação. Há mais coisas fluindo nos neurônios de Merigo além da publicidade e propaganda.

Assim também funciona com Alessandro Martins. Em alessandromartins.com, ele escreve sobre “Livros e afins” - arte e tecnologia inclusos. E no “Quero ter um blog“, Martins dá dicas de criação e manutenção de blogs. Ou seja, muita coisa passa por essas cabeças criativas. A opção de dividir as “criações” em temas força-os a manterem mais de uma publicação online.

Assim sendo, não existe problema nenhum em organizar ou não seus pensamentos e idéias. A questão é sentir-se confortável com a forma de expressão, e principalmente saber fazer-se entender. Se você precisa de apenas um blog ou de dez deles pra exprimir coerentemente suas idéias, isso não importa. O interessante é que elas consigam fazer sentido.

O meu blog é sobre pensamentos. E o seu?

|Conheça os blogs do Merigo: SmellyCat, Save Game, Brainstorm#9 e Vamos subir Timão!
|Conheça as produções de Alessandro Martins: Livros e Afins, Quero ter um Blog, Cracatoa e Um investidor iniciante na Bolsa de Valores

Campus Party: últimos dias, encerramento e opiniões

Perdi grande parte das palestras do penúltimo dia por ter me perdido em Sampa tentando almoçar decentemente. Quando consegui voltar, estava quase no fim a palestra sobre Hackers; de qualquer maneira, deu pra prestigiar a apresentação de Edney Souza sobre Audiência Web. Edney deixou claro que fazer contatos e responder comentários é o melhor que se pode fazer em busca de uma maior audiência. Produzir conteúdo relevante é mais do que básico, mas promover uma maior acessibilidade é a melhor dica de Edney: use e abuse de RSS, assinaturas por email, orkut, o que der.

O último dia de palestras foi o mais agitado. Segundo meus planos eu assistiria a todas as palestras do dia. Quando eu já estava preparada para assistir à apresentação de Pollyana Ferrari, me avisaram que a agenda do dia havia sido alterada, e a apresentação sobre “Ferramenta Multidão” que viria logo após a palestra que estava aguardando iam ser simultâneas. Ferrari ganhou mais uma hora para falar sobre Redação para Web, e eu fiquei atordoada porque tinha que escolher uma das duas. Acabei presitigiando a oficina de Redação para Web, que foi bastante prolixa e desanimei depois de um tempo. Ferrari tentou incentivar a participação dos ouvintes, mas ninguém estava muito afim. Interessante mesmo foi a divisão sugerida por ela para os produtores de conteúdo contemporâneos: jornalistas online, jornalistas digitais e gestores de conteúdo.

Em seguida, Wagner Martins, mais conhecido por Mr. Manson, apresentou o “case” Cocadaboa, explicando o contexto no qual o site foi criado e quais os métodos utilizados por ele e pelos amigos para fazer um boato circular. Martins salientou que os boatos só circulavam devido ao custo mínimo de envio, já que é só dar “ctrl + c, ctrl + v” pra repassar o conteúdo. Um outro ponto intrigante da apresentação do Cocadaboa foi Wagner Martins afirmando que, se ele ainda mantivesse o Cocadaboa nos dias de hoje, as publicações mentirosas circulariam ainda mais. Ele se justifica alegando que os boatos enganavam as classes mais altas e mais instruidas da sociedade, que eram as classes que tinham acesso a computadores e internet naquele momento. Hoje, com as facilidades de pagamento e parcelamento, todo mundo pode ter um PC em casa, até mesmo as classes menos abastadas. E, segundo ele, agora seria muito mais fácil criar textos mentirosos com alta circulação.

Na seqüência, foi apresentada a plataforma STOA de rede sociais, que foi adotada na Universidade de São Paulo (USP) para criar uma rede de relacionamentos acadêmica, seguida pela palestra de Manoel Lemos sobre como criar um blog e quais as formas de indexá-los corretamente para ser listados no BlogBlogs, o Technorati brasileiro.

Mas o dia terminou com a pífia apresentação de Clarah Averbuck, que deveria contar também com a presença de Leandra Leal, que infelizmente não compareceu. Clarah era esperada para a exibição de trechos do filme “Nome Próprio“, que é baseado em suas obras, em especial o livro “Máquina de Pinball”. Tenho que ressaltar que todos os blogueiros ali presentes estavam na mais sincera boa vontade, mas Clarah não parecia interessada. Ainda que tenha confidenciado a todos que já havia consumido meio litro de conhaque, isso não justificou sua atitude no mínimo bizarra: não queria falar. Não estando presente Leandra Leal, e diante da teimosia de Clarah, os diretores tomaram a palavra e explicaram do que se tratava o filme e qual era a intenção daquela exibição no último dia de Campus Party. Sendo um filme de baixo orçamento, os diretores pretendiam apostar na exibição “exclusiva” para os blogs visando postagens que “marketeassem” a película. Não me atingiu, mas eu fiquei sensibilizada com a situação delicada dos diretores: a autora dos livros nos quais o filme foi baseado estava tribêbada, se recusava a falar, e quando resolveu falar, se enrolou toda e repetia muito, além de ter explicitado desnecessariamente sua embriaguês, que podia ser detectada a distância.

A atuação de Leandra Leal me pareceu muito boa; o assunto que permeia a trama é o fato da personagem principal manter um blog. Mais que isso, eu não saberia dizer. Não tenho idéia de quais são os pontos altos do filme, visto que a autora não comentou. Aliás, a única coisa que ela comentou foi que o filme é muito mais dramático do que ela gostaria. E que agora ela é super amiga de Leandra Leal.

Quem quiser matar a curiosidade sobre todas essas coisas não apresentadas, o filme deve entrar em cartaz nos próximos meses.
Se eu achar que os diretores e Leandra Leal merecem, talvez eu assista. Isso se eu conseguir por um momento me esquecer das atitudes infames de Clarah. Porque se isso não acontecer, Leandra Leal que me perdoe, mas não vou prestigiar.

Ao desmontar minha barraca e juntar as malas para voltar pra casa, a minha impressão final sobre a Campus Party é positiva. Reunir comunicadores, tecnólogos, empresários, free lancers, funcionários, acadêmicos e gamers em um mesmo recinto não é coisa pouca. Fazer desse mega evento um sucesso é surpreendente. Saber que teremos Campus Party no Brasil até 2013 me deixa mais animada ainda, pois eu sei que a infra estrutura só tende a melhorar com o tempo e a experiência, mas o jeito brasileiro de fazer festa será sempre o mesmo, sempre bom! Afinal, o melhor do Brasil é o brasileiro, como já dizia aquela campanha do governo. Assim sendo, quem se interessou fique atento, porque ano que vem tem mais. E, com certeza, ano que vem eu também estarei, de novo, por lá.

Campus Party dia 4, a vez dos blogs atormentarem os jornais

Uma vez devidamente reconhecidos e respeitados, os blogs vão buscar ferramentas para crescer. Uma delas é aprender a tirar boas fotos. Frederico Mendes, jornalista por formação e fotógrafo de profissão, mostrou em uma palestra divertida e expositiva que nada é impossível para a fotografia. Nem mesmo dois rodamoinhos na mesma foto.

frederico mendes

A primeira coisa que Mendes deixou claro para os ouvintes foi que qualquer “idiota” pode bater uma foto, e que não é preciso uma câmera toda especial para fazer bons clicks. Para ele, fotografar é apenas uma questão de abaixar e levantar.

Apresentando fotos de sua autoria e explicando as situações e condições que permitiram a realização das belíssimas imagens, Frederico Mendes fez com que se prestasse mais atenção em como “perceber” uma foto, como buscar nela aquele toque especial. Todos saíram babando nas fotos e inspirados para tentar alguns clicks. Até eu.

Ainda em Campus Blog, Andre Avorio apresentou o Drupal como ferramenta poderosa de CMS. Baseada em PHP e sob licença GNU GPL, Drupal é uma solução de software livre para gerenciar conteúdo. O Radar Cultura, que tem stand no piso térreo da Campus Party, foi feito em Drupal e em tempo recorde: duas semanas. Avorio revelou para o público que o aprendizado para gerenciar o sistema não é fácil, mas assim que se adquire domínio sobre a ferramenta, as coisas ficam simples como nunca. Por ser um software livre, o Drupal oferece inúmeros módulos que podem ser agregados à ferramenta base, dando maior flexibilidade pra adaptação em diferentes projetos. Vale a pena conferir.

Mais tarde, no palco principal, houve debate sobre o futuro do jornalismo, feito entre jornalistas e blogueiros convidados. Heródoto Barbeiro tentou de todas as formas viáveis guiar o debate, que acabou debandando para uma espécie de embate entre jornalistas e blogueiros. Na minha opinião, isso era desnecessário, apesar das considerações de ambos os lados terem sido bastante pontuais e verdadeiras. Pedro Dória defendeu que o jornalismo é diferente do que o blogueiro faz, e que existe a necessidade de uma redação mantida por grandes corporações para a apuração de fatos que demandam tempo e proporcionam notícias de longo prazo. Já Cardoso, do Blog do Cardoso, rebateu falando sobre credibilidade: ela depende menos do meio e mais do indivíduo.


Pedro Dória, Heródoto Barbeiro, Suzana Apelbaum, Etevaldo Siqueira

Animosidades a parte, Etevaldo Siqueira, especialista em comunicação, afirmou que o blog é um fenômeno que deve ser bem recebido, pois nele também se pratica jornalismo, e este ainda não morreu, mas pelo contrário, está mais vigoroso do que nunca.Fechando o dia, Juliano Spyer recebeu Steven Johnson, que está lançando seus livros pela Jorge Zahar no Brasil. A conversa manteve um tom científico ao abordar a neurociência. Ao final da palestra de Johnson, ele e Spyer estiveram no térreo autografando seus livros.

|Saiba mais sobre Frederico Mendes e Steven Johnson
|Notas (1,2) no BlueBus sobre o dia 4
|Não deixe de ler artigo de opinião de Michel Lent sobre o debate Jornalistas x Blogueiros

Campus Party, dia 2

Começou hoje o ciclo de palestras da Campus Party. Eu pude conferir duas, que ocorreram no CampusBlog. Uma delas foi a apresentação de Ronaldo Lemos sobre direito digital, que abriu o ciclo da área de blogs; a outra foi a palestra de Juliano Spyer, sobre blogs.

Ronaldo Lemos é professor da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diretor do Creative Commons no Brasil e um dos fundadores do Overmundo, um site colaborativo onde os artigos mais votados são publicados. Ele abordou temas muito interessantes acerca do que é legal e do que é ilegal no mundo web, e muitos dos esclarecimentos deixaram o público estarrecido: a legislação brasileira é tão restritiva que grande parte do que fazemos online é ilegal. Ao que parece, o Ministério da Cultura vai “bandalarguizar” as leis de direito autoral para que elas possam também abranger o direito digital. Mas enquanto essas alterações não vêm, cada um tem que cuidar do seu. O que Lemos chamou de ‘responsabilidade civil dos blogs’ ainda depende muito da forma como cada um encara a questão, e não das leis. Por falta de uma legislação para as atividades virtuais, muitas decisões ficam a cargo dos juízes; alguns deles, inclusive, buscam as bases de seus veredictos em legislações internacionais, como a norte americana.

O que Lemos sugere como solução a curto prazo é o uso das licenças Creative Commons, que faz com que o autor deixe claro o tipo de direito autoral que quer impor ao que produziu. Vale ressaltar também que Lemos deixou claro que colocar uma licença Creative Commons em algo não impede a sua posterior venda, contanto que o conteúdo continue sendo disponibilizado da forma colocada pela licença escolhida. Ele exemplificou com sua própria experiência: seu livro “Direito, tecnologia e cultura” foi disponibilizado sob Creative Commons, entretanto também é publicado pela Editora da FGV.


Com os esclarecimentos de Lemos, todos se sentiram um pouco “ilegais”

Spyer tratou de um tema que parecia batido, mas de uma forma bastante leve e surpreendente. Inicialmente o nome da apresentação era “Tecnologia não faz um blog”, título esse que condensa exatamente o que foi apresentado. Entretanto, ao tratar o tema de forma menos tecnológica, Spyer trocou o nome da apresentação no último minuto para “Zen e a arte de blogar”. Ele defendeu que blogar não depende de talento, mas sim de auto conhecimento. Não depende de saber escrever bem, mas principalmente de saber ler. Ele acredita que dentro de 10 anos as pessoas usaram seus espaços na internet, sejam eles blogs ou o que for, como hoje usam o email; o blog será o cartão de visitas do futuro. Quem assistiu a apresentação de Juliano Spyer saiu com a certeza de que blogar é mais do que apenas escrever na internet: é manter-se informado, criar uma interatividade que propicie crescimento pessoal e, por que não?, também profissional. Porque blogar também é organizar idéias.


Spyer em sua apresentação que mudou de título no último minuto

|Saiba mais sobre Ronaldo Lemos
|Saiba mais sobre Juliano Spyer
|Veja fotos da Campus Party no Flickr

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Jacqueline S Lafloufa

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