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Em cima da hora

Três anos depois de ter deixado o primeiro (e mais legal) emprego da minha vida, ainda tenho um carinho e uma admiração muito grande pelos meus ex-colegas de trabalho, hoje meus amigos. No ano em que eu deixava a Focusnetworks em busca de uma vaga na universidade pública já passava pela minha cabeça fazer um blog. O Pensamenteando era o ideal de um lugar onde eu pudesse desenvolver idéias e projetos, de forma a não me desligar dos meus tópicos de interesse durante o tempo de cursinho, tempo esse que têm a péssima tendência de alienar as pessoas.

A princípio deu certo; não que eu fizesse coisas interessantíssimas, mas pelo menos manteve em mim um espírito independente do que era o meu dia-a-dia: uma entediante revisão do ensino médio.

Hoje, manter o blog, pra mim, é muito mais do que isso. É uma das formas que eu encontrei de me manter sempre procurando algo novo, tentando desenvolver minhas habilidades e minhas teorias, e expor isso ao público, ficar sujeita a críticas e elogios. Isso sim é construtivo. Propor o colaborativo, promover o conhecimento, compartilhar parte da bagagem que eu carrego e poder também aproveitar um tantinho da ‘mala de mão’ dos outros. Essa é a grande sacada.

E tem pouco menos de um mês que um desses meus amigos veio conversar comigo sobre o blog dele. Queria umas dicas, alguma ajuda de cunho técnico, e me mostrou o que ele tinha feito até o momento. Eu achei incrível. Justo o Hanashiro, o último cara que eu pensei que gostaria de fazer um blog. Imaginei um fotolog, um portfólio, mas um blog realmente me surpreendeu. Me surpreendeu e continua me surpreendendo: três anos depois, o Hanashiro (que eu jamais vou conseguir chamar de … Márcio?!?) é um profissional super competente e qualificado, e que realmente entende a importância de compartilhar conhecimento e discutir questões que são pertinentes ao seu dia-a-dia.

A partir do Owfi, uns cliques aqui e acolá me levaram a quase um tour por muitos blogs de colaboradores da Focusnetworks. Muitos foram apenas para conhecimento da plataforma, pois não deslancharam. Mas um que eu destaco é o blog do Marcelo Capucci. Anos atrás, meu líder; hoje, gerente de planejamento.
Tanto o Marcelo quanto o Hanashiro têm muito a compartilhar. São anos de experiência com publicidade e criação, respectivamente, e eu acredito muito no potencial de ambos.

Trata-se de uma iniciativa ousada, a meu ver; eles precisarão dedicar tempo, coisa que muitas vezes não lhes sobra, mas acredito que os resultados que alcançarão serão recompensadores, tanto pela relevância do conteúdo quanto pelo profissionalismo de cada um.

Eles estão vindo tardiamente? Não.
Eles vêm em tempo: em tempo de aproveitar tudo de bom que o mundo dos blogs tem a oferecer. Eles têm bagagem de sobra para compartilhar, e ótimos tópicos para discutir.
Eles não chegam tarde.
Chegam em cima da hora.

O tema de seu blog

Durante a Campus Party, em fevereiro desse ano, muita gente que eu conheci me perguntava: “Ah, e qual é o tema do seu blog?”. Eu, que nunca tinha pensado no assunto, fiquei atônita. Não tinha idéia de qual era o assunto que deveria ter escolhido para tratar no Pensamenteando. Na maioria das vezes eu ressaltei os últimos temas dos meus posts mais recentes, literatura e tecnologia. Mas esse não é o “tema”…

Mais tarde, pensando melhor, percebi que na verdade o título do blog já diz tudo. O Pensamenteando é o retrato dos meus pensamentos. E meus pensamentos não podem, nem devem e não são monotemáticos.

Pensar é interconectar temas que podem (ou não) ser desconexos. É externar o que se passa na cabeça quando nos colocamos a martelar e fermentar idéias. Meu blog é sobre pensamentos, e eles não conseguem se limitar a um só tema. A escolha por publicar alguns deles no blog não é organizá-los, mas sim manter um registro para que eles possam fermentar cada vez mais e crescer, de acordo com que discuto e argumento sobre eles.

O que, definitivamente, não significa que eu ache errado que blogs tenham temas definidos. É uma questão de organização mental, talvez. E também de muito conteúdo acumulado. Isso porque conseguir falar por muito tempo sobre um tema específico exige um acúmulo de informações específicas muito grande. E ainda assim, a meu ver, a maioria das pessoas que mantém blogs tematicamente centrados costumam também manter mais de um blog. Às vezes essas pessoas têm tanto a dizer sobre assuntos diferentes que organizá-los exige mais de um lugar de publicação. Exemplos? Carlos Merigo, do Brainstorm#9. Merigo não permite que o B#9 fique desatualizado, afinal ele possui uma enorme bagagem na área de publicidade e tem muito o que falar. Mas o que talvez poucos saibam é que Merigo também publica no SmellyCat, co-autoria com Baunilha, que trata sobre animação. Há mais coisas fluindo nos neurônios de Merigo além da publicidade e propaganda.

Assim também funciona com Alessandro Martins. Em alessandromartins.com, ele escreve sobre “Livros e afins” - arte e tecnologia inclusos. E no “Quero ter um blog“, Martins dá dicas de criação e manutenção de blogs. Ou seja, muita coisa passa por essas cabeças criativas. A opção de dividir as “criações” em temas força-os a manterem mais de uma publicação online.

Assim sendo, não existe problema nenhum em organizar ou não seus pensamentos e idéias. A questão é sentir-se confortável com a forma de expressão, e principalmente saber fazer-se entender. Se você precisa de apenas um blog ou de dez deles pra exprimir coerentemente suas idéias, isso não importa. O interessante é que elas consigam fazer sentido.

O meu blog é sobre pensamentos. E o seu?

|Conheça os blogs do Merigo: SmellyCat, Save Game, Brainstorm#9 e Vamos subir Timão!
|Conheça as produções de Alessandro Martins: Livros e Afins, Quero ter um Blog, Cracatoa e Um investidor iniciante na Bolsa de Valores

Campus Party dia 3 é marco para blogs, que passam a ser devidamente respeitados

Depois de Juliano Spyer explicar que tecnologia não faz blog (ontem), no dia 3 da Campus Party temos a consolidação do que eu vejo como um marco para os blogs: eles passaram a ser tratados com deferência e credibilidade.

Bárbara Dieu abriu as palestras do dia apresentando sua experiência com o uso de blogs para o ensino de língua estrangeira. Dieu é professora de língua inglesa e o embasamento para fazer uso da web em suas aulas é óbvio: o inglês é o idioma mais utilizado na internet. Ela esclareceu que o uso dos blogs como parte do aprendizado de sala de aula ficou mais fácil com o advento do que se denomina “web 2.0″, que nada mais é do que a web sendo usada de modo mais dinâmico e interativo. Com o surgimento de serviços como o blogger, que facilita a criação e o uso de blogs por uma ampla camada da população, existe a possibilidade de fazer com que os alunos passem a interagir e produzir conteúdo.


Dieu falando sobre o uso de blogs para ensinar

Segundo Dieu, o plano educacional é bem travado, tradicional e fechado, mas aos poucos ele pode ir se alterando. Está ficando cada vez mais claro que o contato com outras pessoas e a busca individual por conhecimento tem como reflexo uma formação mais sólida e duradoura. Dieu acredita que o blog não é mais apenas um diário pessoal, mas sim uma identidade e uma presença online. Com o uso dos blogs, é possível mostrar ao aluno a evolução do seu aprendizado e seu uso prático, fazendo com que ele tenha vivência do idioma estudado em situações cotidianas. Ela citou o caso de um fotógrafo amador holandês que teve suas fotos escolhidas para ilustrar um projeto dos alunos. Ao querer saber mais sobre ele, os alunos foram encaminhados a conversar diretamente com fotógrafo, em inglês; isso fez com que eles pudessem entender a real utilidade do aprendizado do idioma em uma situação real, que trouxe algum benefício a eles: o privilégio do conhecimento.

Na seqüência, Julio Monteiro apresentou a incubadora de projetos colaborativos da Fapesp, que propõe fornecer ferramentas para disseminação de conteúdos de cunho acadêmico, tecnológico e sócio-cultural. A iniciativa é interessante e visa proporcionar uma forma fácil de produção de conteúdo de qualidade. Segundo Monteiro, a FAPESP tem esse projeto ainda em fase de testes, e para participar você deve submeter sua idéia para aprovação no site da incubadora.

Ao mesmo tempo em que Júlio Monteiro apresentava a incubadora da FAPESP, no BarCamp rolava o Startup Camp, com o lançamento do Blog Content, um projeto de Alexandre Inagaki, Edney Souza, Gustavo Jreige e Ian Black. O objetivo é prestar consultoria sobre blogs e redes sociais para empresas.

Ao final do dia Edney Souza apresentou dicas e truques para aumentar a audiência dos blogs. Chamando o pessoal da área de blogs literalmente “no grito”, Edney teve que ceder e permitir a “rodinha” que todos propuseram fazer. Mais do que uma apresentação, foi uma dinâmica que tinha como objetivo gerar conhecimento. Mais uma vez foi ressaltado que é importantíssimo manter um relacionamento na rede. O fato desse relacionamento ser por uma via digital não significa que deva ser virtual. Existem, por trás dos blogs, pessoas reais e relacionamentos reais, apenas intermediados pela tecnologia.


A rodinha do Edney

Acima de tudo, confirmando mais uma vez a fala de Spyer, Edney ressaltou que manter um blog é algo que se deve fazer com gosto, com orgulho, e que ele deve fazer parte da forma como o autor se apresenta: sou fulano de tal, do blog tal. Deve-se tentar focar um tema em que haja conhecimento aprofundado ou, no mínimo, grande interesse.

Acima de tudo, blogueiro agora é tratado com respeito. Blog é tratado com respeito. Porque enfim se entendeu que blog é uma ferramenta, e não apenas diário online.

|Saiba mais sobre Barbara Dieu, Julio Monteiro e Edney Souza
|Confira também as fotos do Flickr sobre o evento

Curitibocas, veja Curitiba por um outro ângulo

Costumamos conhecer as cidades por seus atributos físicos, como obras de arte, arquitetura, organização, mas todos sabem que o que faz mesmo uma cidade são as pessoas que vivem nela, é a sua cultura. E não falo apenas do folclore, das tradições, mas também do cotidiano de uma localidade, de suas esquisitices, peculiaridades e costumes.
Foi pensando em retratar esse lado da cidade de Curitiba que Cecília Arbolave e João Varella iniciaram o projeto “Curitibocas - Diálogos Urbanos”.

Curitibocas (que parece uma mistura de curitibanos com cariocas) é um nome carinhoso usado para designar os curitibanos. Pode ser encontrado, inclusive, em obras de Dalton Trevisan, renomado escritor “curitiboca”. E foi esse o nome escolhido pela argentina e pelo gaúcho como título do agora livro “Curitibocas”.

O livro traz a história de 17 personalidades curitibanas, desde músicos de rua a professores universitários, passando por uma freira, um pipoqueiro e diversos artístas plásticos. É uma história que pretende mostrar que Curitiba é muito mais do que a Europa brasileira, do que uma cidade modelo para o Brasil. Curitiba é, também, lar de gênios urbanos com as mais diferentes peculiaridades.

Outro fato curioso é que o livro foi sendo editado e organizado via internet pela dupla de autores, que estavam separados por 1790 quilômetros, e eles foram comentando o processo de montagem no “blog do Curitibocas“. Assim, todo o processo de busca de editora, de comunicação (que era feita via skype) e de produção pode ser visto no blog, bem como alguns trechos do livro, que eles ali publicaram.

” Curitibocas - Diálogos Urbanos” é uma ótima pedida para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da cultura curitibana - ou curitiboca. Se estiver em Curitiba, não perca o lançamento, que acontecerá na Livraria Saraiva do Shopping Crystal.

E à Cecilia e ao João, parabéns pela iniciativa, e sucesso com a empreitada!

curitibocas Curitibocas - Diálogos Urbanos

João Varella
Cecilia Arbolave
Fotos por Bruna Bazzo
R$29,00
Editora Coração

Lançamento dia 7 de dezembro, as 19h
na Livraria Saraiva do Shopping Crystal

Sessão de autógrafos dia 14 de dezembro, as 19h30
na Livraria Curitiba

Arquitetando conversas

A popularização da internet criou uma massa blogueira considerável. As pessoas escrevem, comentam, articulam e discutem online, por meio de texto. E eu acredito que isso é algo bom. O professor Cristóvão Tezza comentou sobre a influência da escrita na internet em uma entrevista, e o que ele afirma é que saímos de uma geração ágrafa de TV para uma geração digitalizada e digitadora, que tem facilidade com o teclado e que escreve mais sim.

Sobre a questão da forma da escrita, Tezza quebra um pouco o paradigma de que quem escreve na internet não tem uma boa redação, que acaba abusando de abreviações, enfim. Segundo o professor, há uma separação entre a linguagem coloquial, a linguagem de internet e a linguagem formal, utilizada em redações, e todos podem fazer uma boa distinção na hora de escrever.

Por isso, é possível considerar o advento e a popularização da internet como uma boa influência em termos de cultura escrita para as novas gerações. Ao contrário da TV, que tem uma cultura de apreender pela oralidade, na internet tudo é escrito; existem imagens e interatividade, é claro, mas a essência é a transmissão de informação por meio de códigos escritos. Outra questão que eu levanto é a presença cada vez mais marcante do inglês, e junto com isso a tradução, normalmente feita por anônimos, de diversas informações que antes só existiam em outras línguas. Isso torna a rede realmente global, mesmo que são se tenha o domínio do inglês.

E a situação só tende a melhorar. A cada dia há alguém pensando em uma nova visão de mundo. David Armano, um americano que trabalha com experiência de usuários (e porque não dizer de pessoas, se estivermos falando do mundo real) cunhou o termo “conversation architect“, um arquiteto de conversas, para designar bons blogueiros. Blogar passa a ser uma arte, porque o escrever apenas por escrever não faz com que as pessoas sejam parte da rede, tem que ser algo maior do que contribuir com informações.

Eu acredito na arte de arquitetar conversas para os novos tempos, bem como na arte de informar, que é a área do jornalismo. E você, quer conversar sobre isso? =)

|Via Fábio Seixas

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Jacqueline S Lafloufa

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