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Produzir e distribuir conteúdo: uma opção que expande conceitos

É quase imperceptível, mas nós consumimos conteúdo compulsivamente.

Quando se fala assim, como se o conteúdo fosse uma caixa de biscoitos ou um copo de suco, parece estranho, mas é verdade: estamos rodeados de informações, e é esperado que consigamos reter ao menos algumas delas para nos mantermos minimamente atualizados. Acontece que apenas consumir conteúdo faz com que sejamos apenas espectadores. A informação é despejada, você absorve, absorve, absorve, até um ponto de saturação. Nesse momento restam duas opções: descartar tudo que não for relevante ou explodir. Adivinha só o que costumamos escolher?

Mas existe uma segunda opção. Existe a possibilidade de filtrar o que queremos verdadeiramente absorver, e então destilar e compor um conhecimento condensado. Esse sumo do conhecimento pode ser compartilhado.

Existe tanta coisa boa sendo produzida em universidades, em empresas, em grupos de amigos… Tantas pesquisas sendo desenvolvidas, compiladas, testadas, que parece muitas vezes um desperdício, ou um lapso, ou um gargalo não compartilhar esse conhecimento.

Percebi isso numa disciplina que cursei semestre passado, onde fiz um projeto que utilizava o Twitter. Durante a experimentação houve interferências externas, já esperadas, e isso foi extremamente enriquecedor para o projeto. Esse fato fez com que a turma toda refletisse sobre o porquê de fecharmos o conhecimento que produzíamos dentro das 4 paredes da sala de aula. O interessante seria compartilharmos esse conteúdo com uma comunidade que tivesse os mesmos interesses.

Seria extremamente proveitoso se todos pudéssemos contribuir dentro de uma comunidade com uma parcela de conhecimento. Não importa o meio: blog, fórum, comunidades… O importante é compartilhar o que se sabe, possibilitando um conhecimento mais amplo e específico.

Por isso, vale a pena reiterar a pergunta de Manoel Netto: e você, compartilha conhecimento?

Dica rápida e rasteira: FLIP NA WEB

Sem mais delongas, pra poder passar a informação a tempo:
A Oi tá transmitindo a FLIP, a Feira Literária Internacional de Parati, via web.

Pra assistir basta acessar http://flip.oi.com.br nos horários previstos pela programação.

Viu?! Agora não tem desculpa pra não ver!
Aproveite!

E quando o papel acabar?

Para desespero dos jornalistas, editores e funções correlatas, essa questão, que anda na moda nos últimos tempos, incomoda bastante. Os posicionamentos são bem previsíveis: aqueles que trabalham com material impresso têm a tendência de acreditar que ele nunca vai acabar; já os fãs do meio digital fazem questão de assassinar o papel em favor do meio digital.
E essa discussão cria, muitas vezes, um efeito assustador para os jovens profissionais, o que é totalmente desnecessário e praticamente irreal.

Em uma de minhas aulas, o professor exibiu um vídeo chamado “Propaganda Brasileira”, produzido pela ESPM, percebi na declaração de Roberto Civita uma clareza de pensamento que não tinha visto antes em um profissional da área de comunicação.

A ele foi feita uma pergunta relativa ao fim do papel no século XXI. E se o papel acabar? Como vai fazer a editora Abril para sobreviver quando o papel não for mais tão popular?

E Roberto Civita calmamente respondeu mais ou menos assim:
Primeiro, o papel ainda está longe de acabar. O jornal, a revista, o livro, eles tem uma maleabilidade, uma portabilidade, uma folheabilidade que os dispositivos eletrônicos ainda não têm. Ler na tela, hoje, é algo extremamente desconfortável e pouco prático. A eletrônica ainda precisa trabalhar para desenvolver algo mais agradável, viável e portátil o suficiente para substituir o prático, barato e “não-visado-para-furto” livro.
Entretanto, quando isso acontecer, não haverá pânico. Quando o papel acabar, a editora Abril vai parar de cortar árvores para fabricar papel e imprimir, mas vai continuar com o mesmo trabalho de edição, produção e seleção de conteúdo. Ela continuará fazendo a mesma coisa de sempre, mas visando um meio diferente: o meio digital.

Ouvir uma declaração tão clara, objetiva e simples, vinda do presidente do Grupo Abril, para mim foi incrível. É alguém contra a corrente, um profissional sério do meio impresso que não tem uma visão hermética do processo. Ele provavelmente acompanhou a popularização dos computadores pessoais, viu a internet tomar conta da vida das pessoas, acompanhou a baixa na venda dos jornais, mas ainda assim mantém a cabeça no lugar. Isso me faz perguntar qual o medo dos profissionais da área, como jornalistas e editores. Por que temer o fato do papel perder sua importância, se o trabalho de comunicador também se adequa ao mundo digital?
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Não há o que temer. Não que Roberto Civita seja algum guru, que viu algo que ninguém havia visto antes. É, acima de tudo, um profissional inteligente, informado e esclarecido o suficiente para tão temer o fim de um “meio”, de um ‘canal’ de comunicação. Quando o meio impresso for substituido pelo meio digital, por geringonças tecnológicas e e-readers, o meio ambiente vai agradecer: menos árvores serão cortadas, menos papel vai ser jogado fora desnecessariamente, e quem trabalha no ramo hoje não vai ‘perder’ sua função. Vai continuar fazendo o mesmo tipo de trabalho, mas vai vê-lo realizado de uma forma diferente.

Portanto, não há motivo para pânico. Os tempos mudam, os meios mudam, mas a produção e o consumo de conteúdo não páram, jamais.

>>O vídeo em questão acompanha o livro “Propaganda Brasileira”, publicado pela ESPM; não consegui achar nenhuma informação sobre tal livro na internet. Caso alguém saiba onde encontrar esses dados, por favor deixe um comentário.

Publicações experimentais das faculdades de humanas

Enfim, você entrou na faculdade. Largou aquele ritmo colegial, agora vai estudar algo que você escolheu. E, por algum (ou N) motivos, você está em um curso na área de humanas: letras, jornalismo, publicidade, editoração…
A verdade é que, até que consiga concluir a graduação, você não vai ter experiência em coisíssima nenhuma, a não ser que a sua faculdade tenha alguma publicação experimental ou empresa júnior. Se você acha que isso é besteira, deve rever seus conceitos. Muitas faculdades tem apresentado publicações experimentais, normalmente tocadas pelos alunos e supervisionadas por professores. Nesse tipo de atividade “acadêmica”, os alunos são encorajados a produzir conteúdo se preocupando com os limites que o meio impõe e com o retorno que ele proporciona, como críticas construtivas ou reações elogiosas.
Eu acredito que essa seja uma excelente iniciativa, partindo do princípio que a prática leva ao aperfeiçoamento. Além disso, trabalhar com prazos, limites, formatos e todas as restrições que são encontradas no escrever como profissão fazem com que a transição “universidade-mercado de trabalho” seja menos complicada.
Para participar de projetos experimentais na maioria das vezes basta ter vontade e comprometimento. Como é uma atividade extracurricular, ela não rende nota, não aumenta a sua média e não te ajuda em nada no meio acadêmico, a princípio. Digo a princípio porque são esses projetos que podem constar no seu currículo como realizações durante a sua graduação. Esse tipo de “extra” é que faz a diferença entre você e os outros graduandos da sua turma.

OR2Esse tipo de iniciativa é comum em universidades públicas. A USP tem  diversas publicações dos cursos de humanas, a maioria concentrada na Escola de Comunicação e Artes (ECA). Eu destaco o “Originais Reprovados“, revista literária de responsabilidade da turma de Editoração. Nela, os alunos enviam contos, crônicas ou poemas e eles são selecionados para comporem a edição impressa da revista.

;Na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, também existem algumas publicações, dentre elas duas encontram-se online: a Revista Ponto e Vírgula e o portal acadêmico Cotidiano, ambos produzidos por alunos.

Na Unicamp ainda não existe nada nesse estilo, mas não por muito tempo: em 1º de abril desse ano estréia o Ambidestria, um projeto experimental do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), onde os alunos irão publicar colunas mensais com diferentes temas e em diferentes formatos. É uma forma de fazer com que, mais do que produzir textos acadêmicos, esses estudantes possam publicar conteúdo  para a comunidade, visando também um maior aperfeiçoamento textual.

Em outras universidades, como a Cásper Líbero, Anhembi Morumbi e Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), também são mantidos projetos experimentais com a participação dos alunos de graduação. O caso de sucesso da UNASP é o Canal da Imprensa, revista eletrônica mantida pelos alunos do curso de Comunicação Social. Com atualização quinzenal, o Canal da Imprensa é bastante temático e tem como foco a crítica de mídia. Existe desde 2001, mas só em 2002 ganhou as páginas web.

Publicações acadêmicas experimentais estão cumprindo com o dever moral de servir a comunidade com o conhecimento adquirido. E, afinal, é no mínimo interessante sair da faculdade com algum conhecimento prático sobre como escrever para diferentes públicos, com assuntos variados e meios de publicação diversos.

E a sua faculdade, tem algum tipo de publicação experimental? Se ela não foi citada, deixe registrado nos comentários!

[Esse post faz parte de um conjunto de publicações, a "Blogagem Inédita", idealizada por Edney Souza (o Interney) e realizada ao longo do dia 17 de março.]

Campus Party, dia 2

Começou hoje o ciclo de palestras da Campus Party. Eu pude conferir duas, que ocorreram no CampusBlog. Uma delas foi a apresentação de Ronaldo Lemos sobre direito digital, que abriu o ciclo da área de blogs; a outra foi a palestra de Juliano Spyer, sobre blogs.

Ronaldo Lemos é professor da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diretor do Creative Commons no Brasil e um dos fundadores do Overmundo, um site colaborativo onde os artigos mais votados são publicados. Ele abordou temas muito interessantes acerca do que é legal e do que é ilegal no mundo web, e muitos dos esclarecimentos deixaram o público estarrecido: a legislação brasileira é tão restritiva que grande parte do que fazemos online é ilegal. Ao que parece, o Ministério da Cultura vai “bandalarguizar” as leis de direito autoral para que elas possam também abranger o direito digital. Mas enquanto essas alterações não vêm, cada um tem que cuidar do seu. O que Lemos chamou de ‘responsabilidade civil dos blogs’ ainda depende muito da forma como cada um encara a questão, e não das leis. Por falta de uma legislação para as atividades virtuais, muitas decisões ficam a cargo dos juízes; alguns deles, inclusive, buscam as bases de seus veredictos em legislações internacionais, como a norte americana.

O que Lemos sugere como solução a curto prazo é o uso das licenças Creative Commons, que faz com que o autor deixe claro o tipo de direito autoral que quer impor ao que produziu. Vale ressaltar também que Lemos deixou claro que colocar uma licença Creative Commons em algo não impede a sua posterior venda, contanto que o conteúdo continue sendo disponibilizado da forma colocada pela licença escolhida. Ele exemplificou com sua própria experiência: seu livro “Direito, tecnologia e cultura” foi disponibilizado sob Creative Commons, entretanto também é publicado pela Editora da FGV.


Com os esclarecimentos de Lemos, todos se sentiram um pouco “ilegais”

Spyer tratou de um tema que parecia batido, mas de uma forma bastante leve e surpreendente. Inicialmente o nome da apresentação era “Tecnologia não faz um blog”, título esse que condensa exatamente o que foi apresentado. Entretanto, ao tratar o tema de forma menos tecnológica, Spyer trocou o nome da apresentação no último minuto para “Zen e a arte de blogar”. Ele defendeu que blogar não depende de talento, mas sim de auto conhecimento. Não depende de saber escrever bem, mas principalmente de saber ler. Ele acredita que dentro de 10 anos as pessoas usaram seus espaços na internet, sejam eles blogs ou o que for, como hoje usam o email; o blog será o cartão de visitas do futuro. Quem assistiu a apresentação de Juliano Spyer saiu com a certeza de que blogar é mais do que apenas escrever na internet: é manter-se informado, criar uma interatividade que propicie crescimento pessoal e, por que não?, também profissional. Porque blogar também é organizar idéias.


Spyer em sua apresentação que mudou de título no último minuto

|Saiba mais sobre Ronaldo Lemos
|Saiba mais sobre Juliano Spyer
|Veja fotos da Campus Party no Flickr

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Jacqueline S Lafloufa

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